Como identificar mensagens fraudulentas
As burlas por mensagem estão cada vez mais convincentes. Conhece os esquemas mais comuns em Portugal, os sinais de alerta e o que fazer se desconfiares.
As burlas por SMS e por aplicações de mensagens tornaram-se das formas de fraude mais comuns em Portugal. Em 2025, a Linha Internet Segura, coordenada pela APAV, recebeu 949 pedidos de ajuda relacionados com cibercrime e violência online, e a burla foi o crime mais reportado. Os criminosos já não precisam de invadir nada: basta-lhes uma mensagem bem escrita, no momento certo, e uma pessoa com pressa.
Neste guia mostramos os esquemas mais frequentes, os sinais que os denunciam e o que fazer se desconfiares — ou se já tiveres caído.
Os esquemas mais comuns
«Olá mãe, olá pai»
Alguém escreve de um número desconhecido a dizer que é o teu filho ou filha: «parti o telemóvel, este é o meu número novo». Pouco depois, surge um pedido urgente: pagar uma fatura, fazer uma transferência, emprestar dinheiro até amanhã. A PSP tem alertado repetidamente para este esquema, que continua a fazer vítimas.
Conta de alguém que conheces a pedir dinheiro
Uma variante mais perigosa: a mensagem vem da conta verdadeira de um familiar ou amigo, que foi roubada ou duplicada noutro aparelho. Em setembro de 2026, a PSP alertou para uma burla em que a conta de WhatsApp de uma pessoa é replicada noutro aparelho, explorando falhas em iPhones desatualizados, sem que a vítima clique em nada. Os burlões escrevem depois aos contactos a pedir transferências urgentes.
Falsas encomendas e entregas
«A sua encomenda está retida. Pague 1,99 € de portes para a libertar.» O link leva a uma página que imita uma transportadora e pede os dados do cartão.
Falsos avisos do banco
Mensagens a dizer que a tua conta foi bloqueada ou que houve um movimento suspeito, com um link para «confirmar os dados» ou um número para ligar. O objetivo é obter as credenciais de acesso ou os códigos de confirmação.
Pedido do código SMS
«Enviei-te um código por engano, podes reencaminhar-mo?» Esse código é, muitas vezes, o que permite entrar na tua conta de uma aplicação de mensagens. Quem o tiver pode ficar com ela.
Empregos, investimentos e romances
Propostas de trabalho fácil a «dar likes», investimentos em criptomoedas com lucros garantidos ou alguém simpático que conheceste online e que, ao fim de semanas, precisa de dinheiro para uma emergência. Investimentos e burlas românticas estão entre os tipos de fraude mais reportados à Linha Internet Segura.
Os sinais de alerta
Quase todas as mensagens fraudulentas têm pelo menos um destes sinais:
- Urgência: «hoje», «agora», «a conta vai ser bloqueada». A pressa serve para não pensares.
- Dinheiro ou dados: pedem uma transferência, um pagamento, o número do cartão, um código ou uma palavra-passe.
- Número novo ou desconhecido de alguém que diz ser próximo.
- Recusa em falar por voz: «não posso atender agora, só por mensagem».
- Links estranhos: domínios parecidos com os verdadeiros, mas com letras trocadas, números ou terminações invulgares.
- Tom ligeiramente diferente: erros de português, tratamento formal ou expressões que a pessoa nunca usa.
- Segredo: «não digas ao pai», «não comentes com ninguém».
Um exemplo real do tipo de mensagem: «Olá mãe, este é o meu número novo, o outro avariou. Podes guardar? Preciso de uma ajuda urgente: tenho de pagar uma conta hoje e a app do banco não funciona neste telemóvel.» Repara nos sinais: número desconhecido, urgência, pedido de dinheiro e uma desculpa para não ligar. A forma mais simples de desfazer a dúvida é ligar para o número antigo ou fazer uma pergunta que só a pessoa verdadeira saberia responder.
Regra de ouro: nenhum banco, transportadora ou entidade pública te pede códigos, palavras-passe ou dados do cartão por mensagem. E nenhum familiar se ofende se ligares para confirmar.
O que fazer quando desconfias
- Não respondas com pressa e não cliques no link.
- Confirma por outro canal: liga para o número antigo do familiar ou para o número oficial do banco (o que está no cartão ou no site, nunca o da mensagem).
- Combina uma palavra-código com a família para pedidos de dinheiro, como recomenda a PSP.
- Nunca partilhes códigos recebidos por SMS.
- Bloqueia e denuncia o contacto na aplicação.
Como o JaPassa te ajuda
Nenhuma aplicação substitui o bom senso, mas algumas funções ajudam. No JaPassa:
- Denunciar: no perfil ou no menu da conversa, escolhe Denunciar e o motivo Burla ou fraude. Decides se envias as últimas 10 mensagens à equipa (são desencriptadas no teu telemóvel apenas para analisar a denúncia) e podes bloquear a pessoa ao mesmo tempo.
- Bloquear: um contacto bloqueado deixa de te poder enviar mensagens.
- Links com aspeto estranho: antes de abrir endereços invulgares — por exemplo, um endereço IP ou um domínio com caracteres disfarçados —, o JaPassa pergunta se queres mesmo abrir e mostra o domínio real.
- Código de segurança: se o código de segurança de uma conversa mudar (por exemplo, porque a pessoa mudou de telemóvel), és avisado e podes verificá-lo de novo, comparando 8 emojis ou lendo um QR.
- Sessões e dispositivos: em Definições → Segurança vês onde a tua conta está iniciada e terminas qualquer sessão que não reconheças.
Para proteger a tua própria conta, lê também como proteger as conversas no telemóvel.
Se já foste vítima
- Contacta o banco de imediato para tentar travar a transferência e bloquear o cartão.
- Muda as palavras-passe e termina as sessões desconhecidas nas tuas aplicações.
- Guarda provas: capturas de ecrã, números, links e comprovativos.
- Apresenta queixa na PSP, na GNR, na Polícia Judiciária ou no Ministério Público.
- Pede apoio: a Linha Internet Segura (800 21 90 90, gratuita) ajuda vítimas de cibercrime de forma confidencial.
- Avisa os teus contactos se a tua conta foi usada para enviar mensagens.
Cair numa burla não é sinal de ingenuidade: os esquemas são feitos por profissionais. Falar sobre o assunto é a melhor forma de proteger quem está à tua volta.