Como evitar burlas através de aplicações de mensagens
As burlas por mensagem estão cada vez mais convincentes. Conhece os esquemas mais usados em Portugal, as regras que te protegem e o que fazer se caíres numa.
As aplicações de mensagens tornaram-se o canal preferido dos burlões: são rápidas, pessoais e chegam diretamente ao bolso de qualquer pessoa. Em junho de 2026, o Banco de Portugal voltou a alertar para esquemas que começam com uma simples mensagem ou chamada e acabam com a conta bancária vazia. Segundo dados do Gabinete Cibercrime da Procuradoria-Geral da República citados na imprensa, as denúncias de phishing em 2025 subiram cerca de 42% face a 2024.
A boa notícia é que quase todas as burlas seguem os mesmos padrões. Se os conheceres, ficas muito mais protegido. Para aprender a analisar uma mensagem concreta, lê também como identificar mensagens fraudulentas.
As burlas mais comuns por mensagem
«Olá pai, olá mãe»
Chega uma mensagem de um número desconhecido: «Olá mãe, este é o meu número novo, o outro avariou». Pouco depois vem o pedido urgente: pagar uma conta, fazer uma transferência ou um MB WAY. A PSP aconselha a confirmar sempre ligando para o número antigo do filho ou da filha, ou usando uma pergunta de segurança combinada previamente em família, e a denunciar mesmo que seja apenas uma tentativa.
O falso banco e o código SMS
Alguém contacta-te em nome do banco, de uma entidade pública ou de um serviço que usas, fala de um «movimento suspeito» e pede o código que acabaste de receber por SMS «para cancelar a operação». Na realidade, esse código autoriza uma transferência. O Banco de Portugal lembra que os bancos nunca pedem códigos, palavras-passe ou dados do cartão por SMS, email ou telefone — mesmo que a pessoa saiba o teu nome e a tua morada.
O pedido do «código de verificação»
Um contacto teu (cuja conta já foi roubada) diz que te enviou um código por engano e pede que o reencaminhes. Esse código é o que permite entrar na tua conta de mensagens. Com ela, o burlão pede dinheiro a todos os teus contactos.
Encomendas, portagens e impostos
Mensagens a imitar os CTT, a Autoridade Tributária, a Via Verde ou bancos, com um link para «pagar uma taxa» ou «atualizar dados». A página parece verdadeira, mas serve para roubar os dados do cartão.
Investimentos, empregos fáceis e romances
Grupos que prometem lucros garantidos com criptomoedas, «trabalhos» pagos para dar gostos em vídeos ou perfis simpáticos que, semanas depois, precisam de dinheiro para uma emergência. O padrão é sempre o mesmo: ganhar confiança primeiro, pedir dinheiro depois.
Os sinais de alarme
| Sinal | Porque é suspeito |
|---|---|
| Urgência («tem de ser hoje», «a conta vai ser bloqueada») | A pressa impede-te de pensar e de confirmar |
| Número novo ou desconhecido | É a forma mais fácil de se fazer passar por alguém |
| Pedido de códigos, palavras-passe ou dados do cartão | Nenhuma entidade séria os pede por mensagem |
| Pagamento por MB WAY, transferência imediata ou cripto | São difíceis de reverter |
| Link para «confirmar» ou «pagar» | Pode levar a uma página falsa |
| Pedido de segredo («não digas a ninguém») | O burlão não quer que alguém te alerte |
Sete regras que te protegem
- Nunca partilhes códigos recebidos por SMS, seja com quem for. Nem com «o banco», nem com um amigo.
- Confirma por outro canal. Liga para o número que já tinhas, ou fala pessoalmente, antes de pagar seja o que for.
- Combina uma pergunta de segurança com a família, que só vocês saibam responder.
- Não toques em links que chegam sem pedires. Abre a aplicação oficial ou escreve tu o endereço do site no navegador.
- Desconfia de quem sabe demasiado. Nomes e moradas circulam em fugas de dados; não provam identidade.
- Limita quem te encontra. Quanto menos pessoas desconhecidas te conseguirem contactar, menos tentativas recebes.
- Fala sobre isto com pais, avós e filhos. Muitas vítimas não conheciam o esquema.
Ensina a família: um plano de cinco minutos
Os mais velhos e os mais novos são alvos frequentes, mas uma conversa curta faz muita diferença. Combinem três coisas: uma palavra ou pergunta de segurança que só a família conhece; a regra de que ninguém transfere dinheiro sem uma chamada de voz para o número habitual; e a certeza de que pedir ajuda não é vergonha — quem tiver dúvidas pergunta antes de pagar. Escrevam estas regras num papel junto ao telefone de quem tem menos à-vontade com a tecnologia.
O que fazer se caíste numa burla
- Contacta o banco imediatamente, pelos canais habituais, para bloquear cartões e tentar travar transferências.
- Se perdeste o acesso ao número de telemóvel, fala com o operador para recuperar o cartão SIM.
- Muda as palavras-passe das contas importantes e termina sessões que não reconheces.
- Apresenta queixa na PSP, na GNR, na Polícia Judiciária ou no Ministério Público. Guarda capturas de ecrã das mensagens, números e comprovativos.
- Avisa os teus contactos se a tua conta foi usada para pedir dinheiro.
Como o JaPassa te ajuda
Nenhuma aplicação impede uma burla sozinha, mas algumas escolhas de desenho reduzem o risco. No JaPassa:
- Podes falar com pessoas pelo @nome, sem mostrar o teu número. Em Definições → Privacidade decides Quem me encontra pelo número e Quem me pode adicionar a grupos (Todos, Os meus contactos ou Ninguém).
- Numa conversa suspeita, abre o menu ⋮ → Mais → Denunciar e escolhe Burla ou fraude. Podes bloquear a pessoa no mesmo passo e decidir se envias as últimas 10 mensagens à equipa — sem isso, ninguém no JaPassa vê o conteúdo, porque as conversas são encriptadas de ponta a ponta.
- Links com endereços estranhos (um IP em vez de um nome, caracteres disfarçados, portas invulgares) pedem confirmação antes de abrir e mostram o domínio real.
Proteger-te de burlas é sobretudo um hábito: parar, desconfiar e confirmar. Partilha este artigo com quem mais precisa dele.